Nem sempre é baixa autoestima: ás vezes você aprendeu que precisava se abandonar para pertencer

Pode ser que você aprendeu a esconder partes de si para que as pessoas não fossem embora. Entenda como você pode estar se abandonando para tentar pertencer, e como isso enfraquece sua autoestima.

Você sabe reconhecer suas qualidades.
Em alguns dias, você se olha no espelho e gosta do que vê.
No trabalho, sente segurança e sabe que é capaz.

Mas uma resposta mais fria, uma crítica ou o afastamento de alguém pode fazer tudo isso desaparecer por um momento. Isso não significa que sua confiança era falsa. Significa que uma parte dela ainda depende da confirmação de que você continua sendo aceita.

Em muitos casos, o que você pode acreditar ser uma baixa autoestima, começou como uma tentativa de adaptação para manter e preservar os vínculos. Pode ser que você aprendeu a esconder partes de si para que os outros não fossem embora.

O preço invisível de pertencer


Quando somos crianças, aprendemos a interpretar expressões, silêncios e mudanças no tom de voz muito antes de compreender o que está acontecendo e quem realmente somos.

Percebemos quando nosso comportamento agrada, notamos quando o carinho diminui, quando alguém se afasta ou quando o ambiente fica tenso.

Se recebemos mais atenção quando obedecemos, não incomodamos ou correspondemos às expectativas, vamos aprender uma mensagem silenciosa:

“Para ser amada, preciso ser submissa.”

A partir disso, começamos a observar o ambiente, antes de observar a nós mesmas.

  • O que esperam de mim?

  • Como preciso agir?

  • O que não posso demonstrar?


Pertencer deveria ser como encontrar uma casa onde podemos entrar inteiras. Mas em muitos lares, é uma porta bem estreita. E para atravessar, temos que deixar partes nossas do lado de fora.

Quando o abandono vem de dentro


O auto abandono raramente acontece de uma forma dramática. Ele aparece nas pequenas escolhas, no dia a dia.

  • Você diz “sim” quando na verdade queria dizer “não”.

  • Ignora um desconforto para não parecer difícil ou chata.

  • Aceita algo que machuca por medo de perder alguém.

  • Deixa de confiar no que sentiu, assim que o outro mostra uma opinião diferente.


Não é necessário se odiar para se abandonar. Basta se acostumar a tratar as necessidades dos outros como mais importantes que as suas. E aos poucos, você pode continuar presente em uma relação, e ausente de si mesma.

Por que o espelho não alcança essa ferida

O espelho devolve uma imagem.

Ele não mostra a história que ensinou você a duvidar do seu próprio valor.

Por isso que repetir frases positivas no espelho, como “eu sou suficiente”, “eu mereço ser amada” ou “eu confio em mim”, pode oferecer conforto imediato, mas não transforma de forma profunda uma relação marcada pelo auto abandono repetidas vezes.

Se você afirma que merece respeito, mas continua aceitando aquilo que machuca, ou se internamente sente muita culpa, sua realidade emite outra mensagem.

Você diz no espelho:

“Eu tenho valor.”

Mas suas escolhas respondem:

“Meu valor depende se você permanecer.”


A autoestima não se transforma pelo que você repete em frente ao espelho. Ela se transforma quando suas atitudes começam a condizer que você não precisa de aprovação externa para se sentir amada e estar bem.

O verdadeiro teste da autoestima

A relação que você tem consigo não aparece somente quando está feliz.

Ela se revela o tempo todo, e principalmente quando você erra.

  • Quando alguém não escolhe você.

  • Quando recebe uma crítica.

  • Quando se compara e se sente inferior.


O que você faz consigo nesses momentos?

  • Tenta compreender o que aconteceu ou se humilha?

  • Respeita o que sente ou imediatamente se acusa de estar exagerando?

  • Permanece ao seu próprio lado ou corre para recuperar a aprovação do outro?

Os dias difíceis mostram muito mais sobre nossa autoestima, do que os dias bons.

Ser confiante não significa ter autoestima


Uma pessoa pode ser competente, comunicativa e segura profissionalmente, mas desmoronar diante de uma rejeição. Autoconfiança é acreditar na própria capacidade de realizar algo. Autoestima é a relação que você estabelece com você quando erra, quando se frustra, quando não consegue, não agrada ou não corresponde às expectativas.

Em alguns casos, a competência também se transforma em uma armadura. A pessoa faz cada vez mais, não somente porque deseja crescer, mas porque precisa continuar provando o seu valor.

Por fora, existe segurança.

Por dentro, permanece o medo de não ser suficiente.

A raiz da autoestima

Autoestima não é gostar de tudo em si. Também não é acreditar que está sempre certa, ou evitar qualquer frustração.

Autoestima é…

  • se acolher quando está vulnerável.

  • reconhecer seu erro, sem concluir que você é o erro.

  • suportar a possibilidade de desagradar o outro, sem abandonar sua identidade.

  • escutar e validar o seu desconforto antes de tentar preservar uma relação.


A autoestima se fortalece quando suas escolhas começam a comunicar:

“Mesmo que alguém não me compreenda, eu vou permanecer comigo.”

Uma pergunta para levar com você

Em vez de perguntar apenas “eu gosto de quem sou?”, experimente perguntar:

Onde estou me abandonando para continuar pertencendo?

Porque você não precisa gostar de tudo em você, mas você precisa permanecer com você.

Olhar para esse movimento pode ser desconfortável, mas ao mesmo tempo é uma oportunidade de recolher partes de si que se perderam pelo caminho. E assim, você pode passar a construir vínculos onde você também esteja presente, por inteira.

Continue essa reflexão comigo

No encontro “A raiz da autoestima”, dentro do Café com Consciência, aprofundamos como a autoestima é formada, o que realmente é autoestima e por que frases positivas não conseguem transformar sozinhas a relação que você construiu consigo ao longo do tempo.

Também conduzo uma experiência para ajudar você a reconhecer onde vem se abandonando e iniciar um movimento diferente: permanecer ao próprio lado.

Assista gratuitamente ao encontro completo aqui.

Você não precisa se convencer de que é maravilhosa o tempo inteiro. Precisa construir uma relação na qual possa confiar em você, mesmo quando não corresponde ao que esperavam de você.


Com carinho,

Angélica Azambuja
Psicóloga Analítica

A Autora

Meu nome é Angélica L. Azambuja. Sou psicóloga, professora de autoconhecimento e pós-graduada em Psicologia Analítica e Neuropsicologia.

Há mais de dez anos acompanho pessoas em seus processos de desenvolvimento emocional. Também criei o Café com Consciência, um projeto que nasceu do desejo de tornar o autoconhecimento acessível para quem queira se conhecer melhor.

Acredito que amadurecer não significa deixar de sofrer, mas aprender a olhar para a própria experiência com mais consciência. Continuo aprendendo todos os dias, porque a vida nunca deixa de ensinar.

As transformações mais profundas acontecem aos poucos, pela repetição e pela coragem de permanecer no caminho. É por isso que, em vez de prometer mudanças rápidas, eu prefiro fazer um convite especial: vamos caminhar juntos.

Café com Consciência

  • Encontros ao vivo com temas sobre ansiedade, maturidade emocional e relacionamentos.

  • Conhecimentos e exercícios práticos para aplicar na sua rotina.

  • Um lugar para se sentir compreendida e caminhar junto com outras pessoas.

Jornada Terapêutica

  • Acompanhamento contínuo, seguro e acolhedor.

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  • Ferramentas para compreender padrões e transformar sua relação consigo mesma e a vida.

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Espaço de Aprofundamento

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  • Aprofunde temas como emoções, relacionamentos e desenvolvimento pessoal.

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Um espaço de acolhimento e reflexões para o dia a dia.

Conteúdos e práticas para quem deseja ir além.

Um processo em grupo para transformações profundas.